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(Guilherme Arantes)





sábado, 11 de fevereiro de 2012

SAINT PIERRE, A CIDADE FATÍDICA

No dia 30/01, partimos de Fort de France em direção a St. Pierre, ainda em Martinica, foram apenas 12 milhas e mais um belo passeio, o vento nos levou até quase dentro da baía.. foi uma delicia!

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Navegamos sempre em companhia do Veleiro Allegro (foto acima) e com condições favoráveis, às vezes vamos tão próximos que até brindamos a primeira cervejinha do dia… ao meio dia, é claro rsrsrsrsrs.

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Nós estávamos ansiosos pra conhecer St. Pierre, li bastante sobre a cidade que outrora passou por momentos fatídicos… olhando ela assim, calma e tranquila a beira mar, tento imaginar os momentos de pânico e terror que se sucederam na manhã de 08 de Maio de 1902.

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No inicio do século XX, Saint Pierre era considerada a cidade mais moderna das Antilhas, dotada de eletrecidade, água encanada, telefone, bonde puxado a burros e era um grande porto do Caribe. Era chamada a Paris das Antilhas.

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Mas estava aos pés do fatídico Monte Peleé, um vulcão que nos séculos XVIII e XIX se manisfestou com tremores de terra, emanação de enxofre e chuvas de cinzas, mas nada muito grave. Ah tá!

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Depois de saber de tudo o aconteceu aqui… andar por essas ruas chega me dar um arrepio na espinha, é uma mistura de medo e curiosidade, mas tenho vontade de passar por todos os caminhos e sentir sua energia. Tudo bem… tudo bem! Tenho que contar o que aconteceu… vamos lá!

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Na semana que antecedeu o marcante 08 de Maio de 1902, o vulcão começou a colocar as manguinhas de fora. Um dia, tremores de terra, no outro, ouviu-se um estrondo muito forte e do cume subiam colunas de vapor… mas nada demais… ahã, tá bom! As pessoas continuavam por lá levando suas vidas sem mudar a rotina, marcou-se até uma excursão ao topo do Monte Peleé dentro desse período… dá pra crer?

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Nesta semana, mais precisamente no dia 02 de Maio, Saint Pierre é acordada por uma série de detonações provocadas pelo gigante e os habitantes de Prêcheur, uma vila próxima se deslocam pra lá (St. Pierre), em busca de segurança. A sucessão de acontecimentos evolui, o Monte Peleé começa a cuspir à 2 km de distância um grande volume de pedras, a cidade é coberta por uma camada densa de cinzas, as escolas e o comercio foram fechados… a população começa a ficar sobressaltada… só agora? Eu já estaria em pânico há muuuuuito tempo! Ah… e aquela excursão que eu mencionei… foi cancelada, que ótimo, eu já estava achando que a galera radical iria querer conhecer o cume do Monte Peleé cuspindo fogo… Pelo amor de Deus! Fico nervosa de imaginar tudo isso, como se estivesse acontecendo agora.

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Ah… tirei essa foto pra amiga Rita do Veleiro Doris que é apaixonada por gatos.

Continuando… durante aquela semana, o vulcão continua emanando uma chuva de cinzas, mas não sobre St. Pierre, os acontecimentos se alternam entre períodos de calma e manifestações como, eletricidade atmosférica, relâmpagos, trovões e linguas de fogo. Bem, no dia 8 de Maio, o Monte Peleé, que contempla St. Pierre à seculos, do alto dos seus 1.351m, começa a despejar lava, cinza e gases numa temperatura infernal de 1000°C. Uma massa de lava fumegante desceu a montanha numa velocidade incrivel, destruindo tudo em sua passagem. Exatamente às 7h50, St. Pierre pára de viver, 30.000 pessoas morreram em segundos, inclusive os habitantes de Prêcheur que se abrigaram na cidade.

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20 navios que estavam fundeados na baía, também não resistiram à essa tromba de fogo e foram ao fundo (hoje são pontos muito disputados para mergulhos em naufrágios). Apenas um conseguiu sair navegando rumo à St. Lucia e dizem quando chegou lá, haviam 150 toneladas de cinzas em seu convés, seus tripulantes não resistiram as queimaduras e aos gases tóxicos que respiraram, morreram todos após à chegada. Que história… uma loucura! É de arrepiar, não é?

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Hoje a cidade é tranquila, mesmo assim paira no ar, a dúvida… o Monte Peleé continua lá, gigante e imponente a abraçar a cidade, será que ele está adormecido? Eu não pago pra ver…! Oloco, tô fora! Na foto acima vemos o Jardim Público, parece com aqueles jardins encantados que víamos nos filmes da “Sessão da Tarde” de antigamente. E olha só como eu já disse e repito, a natureza se recompõe e o ser humano também… acho isso fantástico!

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As ruas que dão para o mar têem essa linda vista, todas elas terminam nesse azul encantador.

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Aproveitei, na Catedral de St. Pierre e acendi uma vela para Nossa Senhora, agradecendo por ter corrido tudo bem até agora em nossa viagem e pedi pra que ela continue iluminando nossos caminhos e nos protegendo.

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Ah… também pedi para que ela fizesse uma forcinha de manter o Monte Peleé num sono profundo por mais 1 milhão de anos pelo menos… por favor Nossa Senhora!

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Na foto acima, a Catedral de Saint Pierre hoje… e na foto abaixo, ela antes do vulcão entrar em erupção.

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E aqui, o que restou dela logo após o desastre.

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Mais uma rua que acaba no mar!

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Esse azul fica lindo entre as ruinas da cidade, que são muitas!

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Esse amiguinho parecia fazer pose para a câmera!

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Amei St. Pierre e não parava de pensar em tudo se passou aqui… enquanto caminhávamos. A vista do mar é linda… e pensar na quantidade de barcos naufragados aqui nessas águas, todos bem á nossa frente.

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Ah… esse era o Teatro, que foi construido antes da revolução e reformado no seculo XIX, tinha 800 lugares. Era uma reprodução em miniatura do grande Teatro de Bordeaux, sem dúvida nenhuma, a construção mais valiosa da cidade.

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Depois da fúria do Monte Peleé só restaram ruínas. O Fer quer morrer quando tenho esses ataques de bailarina… ahahahahahah!!!

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Ainda nas ruínas do Teatro, fiquei viajando na maionese, imaginando o que se passava por aqui, os artistas se preparando para os espetáculos… aff!…um delírio!

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Agora o mais impressionante de tudo. Essa é uma rua que fica ao lado do Teatro e como diz o nome, é realmente a rua de uma prisão.

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Esse maluco ai, Louis Ciparis, se meteu em uma briga de rua e estava preso no dia da erupção.

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… ele devia ser um detento indisciplinado por isso estava nesta cela ai, uma solitária… que por ironia, salvou a sua vida!

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Ele foi o único sobrevivente e testemunha dessa tragédia, 3 dias após o acontecido o encontraram em sua masmorra e ele disse – “Eram mais ou menos 8h da manhã. De repente ouvi um barulho formidável e todo mundo a gritar por socorro dizendo, eu queimo, eu morro… Em 5 minutos ninguém mais gritava, exceto eu…” É lógico que depois de tudo isso ele ganhou a liberdade.

Vejam a cela dele, não é incrivel estar no mesmo lugar onde tudo aconteceu… eu e o Fer entramos na cela e ficamos imaginando… é maluco!

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Como não consegui fotografar o Monte Peleé que estava o tempo todo com o cume coberto por camada densa de nuvens… ai vai uma foto da foto!

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Essa é entrada do cais onde desembarcávamos de bote… muito bem feito e bem cuidado… um capricho!

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O Daniel (Toddynho) e o Fer amarrando o Allegrinho no “dingue dock”, é assim que se chama o lugar para parar os botes.

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Fizemos uma Reunião de Comandantes e decidimos juntos ir direto daqui para St. Barth, são 213 milhas e passaremos batido por Dominica, Guadaloupe, Antigua, Barbuda, St. Kitts, Nevis, St. Eustátius, Saba e MontSerrat, o que é uma pena, mas não teremos tempo suficiente pra conhecer tudo, temos que estar em Miami em Março, nos prepararmos para nossa travessia do Atlântico e ainda estamos nos programando para manutenções e instalações de novos equipamentos em St. Marteen. Poxa vida! Que pena!

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Em nossa saida de Saint Pierre um arco-iris pra brindar a nossa bela visita a ilha de Martinica e mais um clique do Andante feito pela tripulação do Allegro.

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Tenho muitas histórias mais sobre esse lugar, mas não quero ser cansativa, ás vezes acho que falo demais…rsrs. Vocês sabiam, que uma das moradoras de St. Pierre foi esposa do Imperador Napoleão Bonaparte? Rsrsrsrsrs… ai, eu não aguentei… rsrsrs.

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Nessa linda tarde com o Sol nos tingindo de dourado é que partimos da cidade de St. Pierre e da Ilha de Martinica.

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Nossa passagem por Martinica foi uma viagem na história das Antilhas… muuuuito bom! Amei!

9 comentários:

Augusto disse...

Linda estória, VC Paula as conta muito bem , fica parecendo que estamos todos juntos, e acredito ser este seu objetivo . Bela viajem , belos locais ...... parabéns .

Vani Lamberti disse...

Muito linda a estória, mas eu daqui de longe já fiquei com medo....rsrsrsrsrs..será que essa cidade teve que ser extinta como Sodoma e Gomorra, acho que a unica alma boa que tinha ai era o preso....hahahaha!!!!!bjs mãe

Guga Buy disse...

Paula, fico impressionado, pois passei por todos estes locais, mas não os observava com tua acurada visão histórica. Minha atuação era mais contemplativa do que investigativa. Entretanto, teus relatos complementam minha contemplação, com relatos históricos, o que me dá outra visão dos locais que visitei. Estou adorando teus relatos e teu senso histórico. Parabéns!
Zanella

Mauricio e Silvia disse...

SHOW DE BOLA ESA HISTÓRIA !!!!!
QUEREMOS MAIS...MAIS...MAIS...MAIS...MAIS E MAIS... !!!!!

RSRSRSRSRSRS

UM GRANDE ABRAÇOS A VCS

MAURICIO E SILVIA

R disse...

Olá,
Adoramos a História mas a Lena ficou um pouco assustada de pensar como deve ter sido,estamos esperando por mais relatos vossos. :)

Murilo Carani Coube disse...

e no fim do arco-iris tinha um Andante...

Mario Bocamarela disse...

Tambem adorei a história! E muito bem ilustrada pelas belas fotos.

Alexandre Franco Caetano disse...

Paula e Fernando! Boa viagem para Saint Barth!
Este post está mesmo sensacional!
Abraços e bons ventos!
Alê e Bia Black Swan

André Linck disse...

Muito boas as histórias Paula.Continua,não para não.Realmente uma pena voçes terem que "pular"estas outras ilhas.Aguardo mais noticias.
BONS VENTOS SEMPRE.ABRAÇOS !